No dia 9 de novembro de 1989, caía o Muro de Berlim, símbolo máximo do Mundo Bipolar e da Guerra Fria… O momento simbolizava também a queda da URSS e a desestruturação do mundo socialista. Mas e todos os aliados soviéticos? O “lado” socialista do Mundo Bipolar? Mais de duas décadas após o lapso do Muro e da reunificação alemã, o que aconteceu com as dezenas de nações socialistas que existiam no mundo?

Após o fim da URSS, a maioria das nações socialistas passou por uma transformação, sendo chamadas de países em transição, ou seja, foram aos poucos deixando o socialismo para incorporar o capitalismo em suas estruturas político-econômicas. Atualmente, raros países permanecem com características socialistas, existindo grande dificuldade em considerar quais poderiam ser realmente classificados dessa maneira. É comum serem lembrados países como China, Cuba, Coreia do Norte, Vietnã e Laos, por exemplo; mas, ainda assim, algumas características podem colocar em dúvida tal classificação.

Analisando fatos atuais, podemos destacar a China, onde há uma enorme concentração de milionários como poucos países possuem. Toda essa riqueza é fruto da implantação das ZEE (Zonas Econômicas Especiais), ainda na década de 1970, onde ocorreu abertura de mercado ao capital estrangeiro. Apesar da intensa participação estatal, essas zonas seguiram o princípio capitalista da busca pelo lucro, produzindo para o comércio internacional, mas utilizando a mão de obra abundante, barata e, muitas vezes, sem direitos, existente em território chinês. A inserção da China na economia de mercado transformou o país na segunda maior economia do planeta (posto alcançado em agosto de 2010).

Produto "chinês". Foto: Daniel Lobo. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica

Produto ‘chinês’. Foto: Daniel Lobo. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica

Em Cuba, muitos aspectos socialistas são exemplos para o mundo, como o sistema de saúde e a educação. Porém, os dólares também estão presentes no país, onde o turismo recebe milhares de visitantes que trazem consigo o ideal capitalista, gastando, consumindo e movimentando a economia da ilha caribenha. O turismo cubano recebe investimentos em praias controladas onde apenas os turistas e os cubanos que trabalham nos hotéis podem circular, ou seja, a população cubana é proibida de frequentar tais locais. Outra forma em que há materialização do capitalismo em Cuba é por meio do comércio externo, que, apesar do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962, exporta diversos produtos, como charutos e produtos tropicais, para várias regiões do planeta.

Caixa de charuto cubano. Foto: James Emery. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica

Caixa de charuto cubano. Foto: James Emery. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.0 Genérica

Atualmente, diversos países autodenominam-se socialistas, alguns oficialmente no próprio nome, outros incluindo textos em suas constituições, como, por exemplo, Egito, Bangladesh, Índia, Portugal, entre outros. Existem países que são governados por partidos de esquerda eleitos democraticamente - caso do próprio Brasil -; outros são governados por partidos únicos de esquerda, como o Laos e a Coreia do Norte.

Outro recente destaque é a República Bolivariana da Venezuela, onde o governo foi eleito democraticamente e, após assumir, modificou a constituição do país, permitindo a reeleição infinitamente, além de dar poderes praticamente ilimitados ao presidente. Hugo Chávez, atual chefe de Estado venezuelano (e responsável pelas mudanças constitucionais), passou a controlar setores estratégicos do país, como as telecomunicações (censurando e perseguindo opositores), o sistema bancário e a produção de energia, estatizando grande parte das empresas instaladas no país, criando mal-estar em relação a várias multinacionais - entre elas, a Petrobras.

Caracas - Venezuelanos fazem manifestação de apoio à TVes, emissora que substituiu a RCTV, que não teve a concessão renovada pelo governo Chávez Foto: Maiquel Torcatt/ABN. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.5 Brasil

Caracas - Venezuelanos fazem manifestação de apoio à TVes, emissora que substituiu a RCTV, que não teve a concessão renovada pelo governo Chávez Foto: Maiquel Torcatt/ABN. Licenciado pelo Creative Commons, atribuição 2.5 Brasil

O certo é que, bem diferente do socialismo ideal, sonhado no século XIX, que buscava uma sociedade justa, igualitária e sem divisão de classes, ou mesmo do socialismo real, que teoricamente seria praticado em países que se autointitulam socialistas e deveriam opor-se ao capitalismo, proporcionando distribuição de renda e condições mínimas de vida a seus habitantes, o que vemos são milhões de pessoas sem direitos, que continuam vivendo na pobreza, enquanto uma minoria acumula riquezas, beneficiando-se das estruturas do Estado ou mesmo da dinâmica do sistema capitalista.

Por: Claudio Lopes Takayasu - Do blog de Geografia

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